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Ultrassom em concreto: enxergar o que está dentro da peça

Percussão revela o que está descolado perto da superfície. Esclerometria compara a dureza superficial. Testemunho traz uma amostra de um ponto. Nenhum desses responde a uma pergunta específica: o que existe dentro da peça, ao longo de toda a sua espessura, sem abri-la.

O ensaio de ultrassom responde. Um pulso sonoro de alta frequência atravessa o concreto, e mede-se o tempo que ele leva para percorrer a distância entre os transdutores. Concreto denso e contínuo conduz o pulso rápido; vazio, ninho de concretagem ou fissura obrigam a onda a contornar o obstáculo, e o tempo aumenta. É a partir dessa diferença que se enxerga o interior da peça.

Resposta direta

O ultrassom mede a velocidade de um pulso atravessando a peça e revela o que está dentro dela: ninho de concretagem, vazio, profundidade de fissura e qualidade de um reparo ou injeção já executada. É o ensaio que enxerga o interior sem perfurar. Não fornece resistência em MPa — serve para comparar regiões e localizar anomalias.

Sinais de alerta

Quando este serviço é necessário

Situações que costumam levar síndicos, empresas e proprietários a nos procurar — e que merecem avaliação de engenharia.

01

Suspeita de ninho de concretagem

Falha de adensamento deixa vazios internos que reduzem a seção efetiva e criam caminho direto para umidade até a armadura.

02

Fissura de profundidade desconhecida

Saber se a abertura é superficial ou atravessa a peça muda completamente o tratamento indicado e o custo.

03

Concreto com qualidade variável na mesma estrutura

Diferenças entre lotes, trechos concretados em dias distintos ou regiões com adensamento deficiente.

04

Verificação de reparo ou injeção executada

Conferir se o graute preencheu efetivamente o vazio, ou se a injeção de resina alcançou toda a extensão da fissura.

05

Avaliação de dano por incêndio ou impacto

Delimitar até que profundidade o concreto foi afetado, o que a inspeção visual não consegue estabelecer.

06

Peça que não pode ser perfurada

Elemento crítico, protendido ou com restrição de acesso, em que extrair testemunho não é opção.

Reconheceu algum desses sinais no seu imóvel?

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01

O que a velocidade do pulso revela

O princípio é direto: a onda ultrassônica viaja mais rápido em meio denso e contínuo. Concreto bem adensado, sem vazios e sem fissuras, conduz o pulso na maior velocidade que aquele material permite. Qualquer descontinuidade — ar, água, fissura, região desagregada — obriga a onda a fazer um percurso maior contornando o obstáculo, e o tempo medido aumenta.

A leitura é feita de três formas, conforme o acesso disponível. Na transmissão direta, os transdutores ficam em faces opostas da peça, e é a configuração mais confiável. Na semidireta, em faces adjacentes. Na indireta, ambos na mesma face — menos precisa, mas a única possível quando só um lado está acessível, como em piso ou em parede de divisa.

O resultado mais valioso costuma ser comparativo. Mapeando a velocidade em uma malha de pontos sobre o elemento, obtém-se um retrato da homogeneidade: onde o valor cai em relação ao entorno, há algo diferente ali dentro. Essa é a informação que orienta onde investigar a fundo — e frequentemente onde extrair um testemunho, se ele for necessário.

02

Onde o ultrassom é insubstituível

A primeira aplicação é a profundidade de fissura. Uma abertura visível na superfície pode ser um defeito de revestimento com poucos milímetros ou uma fissura que atravessa a peça inteira — e a distinção define o tratamento, o custo e a urgência. O ensaio estima essa profundidade medindo como o pulso contorna a abertura, sem precisar abrir nada.

A segunda é a detecção de vazios e ninhos de concretagem. Falha de adensamento fica escondida sob a superfície regular da fôrma e só aparece quando se remove o revestimento — ou quando a umidade encontra o caminho e a armadura corrói por dentro. O mapeamento por ultrassom localiza essas regiões antes.

A terceira é a verificação de serviços executados: confirmar que a injeção de resina percorreu toda a fissura, que o graute preencheu o vazio sob uma placa de base, que o reparo tem continuidade com o concreto original. É o único ensaio prático para atestar isso sem destruir o que acabou de ser feito — e por isso é frequentemente usado como controle de recebimento de recuperação estrutural.

03

Os limites que precisam ser ditos

O ultrassom não fornece o fck do concreto. Existe correlação entre velocidade de pulso e resistência, e ela é útil, mas depende do traço, do tipo de agregado, da umidade e da idade da peça — variáveis que mudam de estrutura para estrutura. Laudo que declara resistência característica apoiado apenas em ultrassom deve ser lido com reserva. A referência para resistência efetiva continua sendo a extração de testemunhos.

Há outras interferências a considerar. Armadura no caminho do pulso acelera a leitura, porque o aço conduz mais rápido que o concreto — daí a importância de posicionar os pontos com a armadura já mapeada por pacometria. Umidade elevada também aumenta a velocidade, e concreto saturado pode mascarar uma região de qualidade inferior.

Por isso o ensaio raramente é contratado sozinho. A combinação com esclerometria — cada um sensível a propriedades distintas — dá uma leitura bem mais robusta do que qualquer um dos dois isolado, e é prática consagrada em avaliação de estruturas existentes. Quando a decisão envolvida é relevante, essa combinação orienta onde extrair, e o testemunho confirma com valor de referência.

Etapas do serviço

Como conduzimos, passo a passo

Fluxo padronizado, com documento em cada fase — você acompanha o que foi constatado e o que vem a seguir.

  1. 01

    Definição dos elementos e da malha de pontos

    Escolha das peças a ensaiar e do espaçamento da malha, conforme o objetivo e o porte da estrutura.

  2. 02

    Mapeamento prévio das armaduras

    Pacometria para posicionar os pontos evitando que a barra interfira na leitura do pulso.

  3. 03

    Preparo das superfícies de contato

    Regularização e aplicação de acoplante nos pontos de leitura, para garantir transmissão adequada do pulso.

  4. 04

    Leituras conforme a NBR 8802

    Medição do tempo de propagação por transmissão direta, semidireta ou indireta, conforme o acesso disponível.

  5. 05

    Análise comparativa

    Cálculo das velocidades, identificação das regiões com queda em relação ao entorno e correlação com a inspeção visual.

  6. 06

    Relatório com ART

    Mapa de velocidades, localização das anomalias internas, conclusão técnica e recomendação de investigação complementar quando indicada.

Referências normativas

  • ABNT NBR 8802 — Concreto endurecido: determinação da velocidade de propagação de onda ultrassônica
  • ABNT NBR 7680 — Extração e ensaio de testemunhos, para confirmação da resistência efetiva
  • ABNT NBR 6118 — Projeto de estruturas de concreto: procedimento
  • ABNT NBR 16747 — Inspeção predial: diretrizes e classificação de anomalias

Perguntas frequentes

Dúvidas frequentes sobre ultrassom

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Responsabilidade técnica

Samuel Silva Costa

Engenheiro Civil e Engenheiro de Segurança do Trabalho · CREA-SP 5070163570 · Atuação em engenharia desde 2017. Conteúdo técnico redigido e revisado pelo responsável técnico da DRD2 Engenharia, que assina os laudos, projetos e ART dos serviços descritos nesta página.

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Eng. Samuel CostaEngenheiro Civil e Engenheiro de Segurança do Trabalho. CREA-SP 5070163570. Todos os serviços com emissão de ART.

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